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Memórias do Campestre



      A crônica abaixo foi escrita por Moacyr Scliar e abre a Revista que comemorou o 30º aniversário do Campestre, em 1988. Portanto, lá se vão 15 anos. A foto de Scliar foi retirada da Revista do clube que circulou em 1977.


Um reduto da boa culinária
Por Moacyr Scliar, 1988


      Quando é que um clube é bom? Quando ele é a extensão de nossa casa; quando ele amplia a nossa casa. Quando lá encontramos amigos e conhecidos, e quando temos a possibilidade de diversão e desporto que os confinados apartamentos já não permitem. Isto, como regra geral. Mas um clube da comunidade judaica tem de oferecer algo mais, como bem sabiam as mães do Bom Fim: comida. É por isso que três das mais célebres festas do Campestre (até de Porto Alegre, eu diria), têm a ver com culinária. Uma é o jantar dos queijos e vinhos, uma tradição européia transplantada para o Rio Grande do Sul. Outra, é o jantar dos cozinheiros, uma extraordinária competição gastronômica que tem o mérito de revelar talentos insuspeitados. A divisão de trabalho entre os sexos reserva habitualmente a cozinha para as mulheres, mas os grandes cozinheiros da História, de Apicus e Paul Bocuse foram, paradoxalmente, homens. Aliás nem tão paradoxalmente assim: como o lado alimentador do sexo masculino é culturalmente reprimido, quando ele chega a se manifestar é com um vigor que às vezes beira a genialidade, como podemos constatar no jantar dos cozinheiros do Campestre, um verdadeiro festival de criatividade em cozinhas improvisadas. A terceira festa é o jantar com comida idiche. Bem, desta nem é preciso falar. Apaziguar a ansiedade com boa comida sempre foi uma tradicional e sábia receita judaica. Principalmente, se considerarmos que ansiedade foi coisa que não faltou ao longo dos últimos dois mil anos de nossa História. Três eventos que bastariam para celebrizar o Campestre, e que demonstram a tese enunciada no início: um bom clube tem de ser uma extensão de nossa casa. O problema com a extensão culinária são as calorias. Mas, para dieta, não faltam oportunidades. Na hora de comer, comer!